sábado, 20 de junho de 2009

Vagas Lembranças (e sua falta de utilidade)

Queria me lembrar com mais eficiência das coisas...

Porque tenho a sensação de que aprendi pouco com o muito que vivi. E às vezes a lembrança vem só como sinal de pouca competência.

Não gosto da idéia de ter mais histórias pra contar que morais pra ensinar. Justo eu, que sempre reproduzi e acreditei no clichê que podia aprender alguma coisa com qualquer coisa, não estou confortável em admitir que isso nem sempre é verdade. Ou pior: que talvez seja, mas eu é que não sou tão capaz do aprendizado como gostaria.

Tenho pensado sobre isso porque venho lembrando muito frequentemente de antigos erros que eu repeti, como se nunca tivesse experimentado as consequências deles antes. E isso me dá a inescapável sensação de que não aprendi nada com eles.

Aliás, "nada" talvez seja exagero. Com "não aprender" eu me refiro não ao aprendizado superficial - conceitual - de que algo é certo ou errado, bom ou ruim; me refiro ao aprendizado prático e vital, de como evitar as coisas que, no final das contas, simplesmente não me fazem bem. E isso é essencial. É pra isso que serve a história, não é?

E, talvez por isso mesmo, por saber que eu já sei o bem ou mal que certas coisas me fazem, é que eu me cobro tanto escolhas certas. Ou, se não certas, no mínimo coerentes com tudo o que eu lembro das escolhas anteriores.

Repito pra mim mesmo o conceito auto-condescendente de que ainda sou jovem e tenho tempo pra errar, mas o tempo vai - o tempo ESTÁ - passando. E eu me perdôo cada vez menos...

domingo, 14 de junho de 2009

Ahmadinejad e a Ameaça

Ok. Podem me chamar de paranóico. Mas ninguém me tira da cabeça que a reeleição do Ahmadinejad no Irã tem extrema relevância pra nós, aqui no Brasil.

Sem contar a ameaça ideológica que o cara representa - foi ele que disse que não existem homossexuais no Irã, que criou a lei que institui pena de MORTE pra blogueiros "subversivos", que disse que o Holocausto nunca aconteceu e outras gracinhas mais - ele tem relações políticas - e bélicas - preocupantemente próximas com um vizinho preocupantemente próximo de nós.

Explico: reeleição (pseudo)democrática de ditador populista e perigosamente beligerante em potência petrolífera internacional não lembra nada a vocês? Foi só há três anos atrás, bem ali do lado, na Venezuela.

O que me preocupa tanto é a aparência de liderança regional que esses governos, do Chávez e do Ahmadinejad, assumem diante da comunidade internacional. Para os Estados Unidos - que, apesar de estarem agora sob o comando de um novo, mais inteligente e mais flexível presidente, ainda são a maior potência bélica do mundo - a mesma influência que o Irã tem sobre o Oriente Médio, tem a Venezuela sobre a América Latina.

Pra piorar as coisas, nosso vizinho bolivariano já declarou seu apoio ao muçulmano e, naturalmente, quando Israel, que já deixou bem claro que não vai admitir a existência de armas nucleares em mãos de outros Estados meso-orientais, der o ultimato - ou, pior, a declaração de guerra - ao Irã, os integrantes da OPEP (leia-se Venezuela) terão que se posicionar e isso exigirá de NÓS uma posição que confirme ou confronte a aparente liderança de Chávez na América Latina.

O cancelamento da visita de Ahmadinejad, ainda legitimamente presidente do Irã, ao Brasil já é uma pista da popularidade do governo dele por aqui. Eu acredito realmente que ele seja a última ameaça real ao modo de vida e à democracia ocidental, e já que as eleições falharam, talvez a guerra seja a saída inevitável para nos livrar dele.

Só espero que seja evitável que a guerra chegue tão perto de nós.

Mas, só pra garantir, acho que vou passar uns tempos na Suíça.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Reflexões de segunda-feira chuvosa

Acho que é uma opinião mais ou menos geralizada - e subconscientemente internalizada - que clima nublado não combina com o Rio de Janeiro. Num dia como esse, fica bem claro o quanto tudo (e todo mundo) aqui é sensível à variação do clima... A dinâmica da cidade, a movimentação nas ruas, a interação das pessoas, a própria cor do ambiente, tudo, tudo fica diferente quando não está fazendo sol.

 

Dificilmente faz frio de verdade aqui. O que quer dizer que a falta de sol é, na maioria das vezes, sinônimo de chuva. E quase todo bom-humor - e já é bem difícil achar alguém de bom-humor numa segunda-feira - fica bastante afetado pelos respingos de marquises e guarda-chuvas alheios no caminho para o trabalho...

 

E toda vez que vejo a cidade assim me vem à mente a reflexão a respeito das coisas que nos acometem a todos, igual e inevitavelmente. Pode ser algo benéfico como essa chuva rala e insistente de inverno que cai hoje, ou uma grande catástrofe como as tempestades torrenciais que derrubam casas: por mais que os homens elaborem sistemas sociais pra se diferenciar uns dos outros (uns usam guarda-chuvas retráteis automáticos, outros tentam usar sobras de caixas de papelão para se proteger), há igualdades que nunca poderemos evitar.

 

Sol, chuva, Copas do Mundo, epidemias, Vida, morte. Enquanto nós nos ocupamos em demarcar e reafirmar nossas diferenças, a natureza faz o que pode para nos dar constantes provas de que somos todos iguais.